quarta-feira, 28 de julho de 2010

"E ler,

...ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente."

Caio Fernando Abreu


terça-feira, 27 de julho de 2010

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Don't think.

Karma

Tenho pensado seriamente em desistir de fazer as coisas darem certo. Não tem funcionado mesmo. Quanto mais eu me esforço, mais eu bato com a cara na parede. Descobri que sinceridade excessiva nem sempre funciona, ou melhor, quase nunca funciona.
Eu só estou sentido diferente. O amor é outro tipo de amor. É maduro, meio impulsivo, meio inconsequente, mas preenche todas as minhas ausências de uma forma quase que plena. E o outro amor, não pode mais ser chamado assim faz tempo. Virou uma espécie de pena, por saber como eu era quando este existia.
Dizem que só se reconhece o valor de alguém quando se perde essa pessoa. To sentindo quase isso, porque eu já sabia o valor dessa pessoa, e a cada minuto eu sabia que atribuía a ela mais e mais importância. Deve ser por isso que tá doendo. Porque eu não tenho certeza de nada. Se eu tivesse certeza de que a perdi, podia chorar e ficar me xingando e me martirizando até me convencer de que o tempo cura tudo. E se eu tivesse certeza de que ainda a tenho, podia continuar planejando surpresas pro dia oito. Mas eu não sei de nada. E agora eu só consigo contar quanto tempo falta pras cinco horas. Até lá, essa angústia acaba me matando.

"If you only knew
What I went through just to get to you
I'm hanging from you
And I'll hold on if you want me to
[...]
If all my days go wrong
I'll think about last night
It went right"

If you only knew - Maroon 5



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Decepção

Não sei se essa é mesmo a palavra que defina bem o que se passa agora. Eu voltei, e tá tudo igual. De nada adiantou a despedida se tá tudo mesmo lugar. O "grande rito de passagem" pelo qual eu esperava não aconteceu. A única coisa diferente é que quando eu voltei aconteceram coisas que eu já esperava, uma delas eu esperava faz tempo e já tinha até perdido a esperança de que fosse acontecer, e a outra coisa eu só adiei esperando que a anterior ocorresse. Só que aí, as duas coisas acontecem juntas. Isso tá me deixando realmente inquieta. Razão e coração estão brigando aqui dentro de novo. Porque eu não consigo ajeitar as coisas? Quando eu acho que tá tudo no seu devido lugar, bate um vento e destrói meu castelinho de areia. Minha vida, na verdade, sempre foi uma bagunça, fato que sempre me incomodo, mas como eu estava acostumada nem me importava em querer organizá-la. Só que certo dia, essa bagunça se propagou de tal maneira, que a necessidade de arrumar foi mais forte. Passei muito tempo pra colocar todos os pingos nos "is" e cortar todos os "ts", não para os outros, mas pra mim. Isso incluiu revisar meus valores, meus amigos minha relação do aqui dentro com o aí fora. Eu acho que estava tão ansiosa pra que algo que realmente importasse acontecesse, que muitas coisas que importam começaram a acontecer ao mesmo tempo, sendo que essas não podem se cruzar. Mas por enquanto eu vou esperar, decisões precipitadas não são uma boa ideia. Apesar da bagunça, o conforto me convida a permanecer assim.




Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa

Só o que interessa - Lenine



quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um dia a menos

Todos os dias que passam, só consigo pensar que é um dia a menos. Não sei pra que. Porque que é tão difícil pra mim, interpretar minhas próprias loucuras? Eu só espero algo acontecer. Algo que importe muito, que mude muito, que eu sinta muito, que eu viva muito. Necessidade de intensidade. Acho que é isso. Tudo me parece tão superficial. E a única coisa intensa e maravilhosa que está acontecendo comigo,os obstáculos impostos pelas circunstâncias me impedem de vivê-lo da maneira que eu realmente gostaria. E mesmo parcendo intenso para os outros, pra mim ainda é contido. E pra piorar, esse tempo frio me faz pensar e me empurra mais ainda pra dentro de mim. Me sinto uma idiota questionando tudo que era pra ser aceitável. Só isso. Mas eu sempre tenho que me perguntar o porquê. Não tem porque, é só fazer. Tá vendo como parece superficial?! Eu quero mais. Essa hipocrisia generalizada tá acabando comigo. As pessoas são tão contidas que me obrigam a fazer o mesmo. E eu não quero me conter, não posso. Minha fome é maior. Minha vontade é maior. Sair daqui de dentro para entrar em contato com esse lugar louco chamado mundo e com os loucos que o habitam, está realmente sendo mais complicado do que eu imaginava. Porque nada é o que parece. De perto, bem de perto ninguém é normal. Eu então... nem se fala. Acontece que eu não deixo ninguém chegar perto o suficiente para perceber isso. Logo, eu também não sou o que pareço.Olha só, mas não é que essa hipocrisia generalizada também se aplica a mim. Mas ainda acho que comigo é de um jeito diferente. Não sou hipócrita porque quero, só porque preciso. Ninguém aguentaria saber a minha verdade, não toda ela pelo menos. Cansei das pessoas. Aliás, não acho que tenho existido algum momento em que não estive cansada delas. E eu ainda tentando socializar. Isso não funciona pra mim. Escrevi tudo isso pra chegar a mesma conclusão: meu mundo é melhor fechado. Mas eu estou tentando todos os dias. Tentei anteontem, ontem e hoje. Tentarei amanhã, juro. Amanhã eu vou acordar, respirar fundo e pensar que é um dia a menos. 


"Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz..." 
Clarice Lispector

Despedida.

      De certa forma, nessa última semana, estou me despedindo de tudo. Olho a minha volta, presto atenção em todos os detalhes como se eu soubesse que quando eu voltar vai estar tudo diferente. Não a minha volta, mas aqui dentro. Tudo que tem acontecido na minha vida ultimamente eu encaro como "ritos de passagem", e percebo que eu não sei quase nada de mim, porque eu não quis parar pra prestar atenção em mim. Estava preocupada demais em ser o que os outros esperavam que eu fosse: a boa filha,a boa namorada, a boa aluna, a boa amiga. Não abandonei esses papéis por completo, afinal eles são minha proteção, mas eu sei que a minha nova forma de pensar os afetou um pouco.
      Não sei porque, mas eu sinto que a semana que vem vai ser o maior dos ritos. Ou vai ser um completo desastre, ou vai me fazer muito bem. E é por isso que eu estou me despedindo, eu sei que vou voltar muito diferente. Não sei até que ponto isso é bom ou ruim. Sei que vai ser assim e eu vou ter que passar por isso pra descobrir, só que dessa vez eu vou usar da minha capacidade de fazer com que as coisas sejam intensas pra transformar numa das mais intensas. Vou me decepcionar com as pessoas, vou me decepcionar comigo mesma, vou chorar, brigar, consolar... 
      O que mais está pesando, é que dessa vez eu to sentindo muita responsabilidade, todos estão esperando muito de mim. E é o meu desempenho que vai determinar muitas coisas que acontecerão na minha vida depois disso. É a minha prova de fogo. Tem muita gente torcendo pra dar errado como tem muita gente torcendo pra dar certo. E as pessoas que poderiam eventualmente me ajudar nessa experiência vão estar muito longe. Eu vou ficar isolada. Não vou poder nem ir pra um canto chorar, pegar o telefone e gritar por socorro. Só eu, aprendendo a lidar comigo e com os outros que eu mal conheço e que me conhecem menos ainda. Analisando tudo isso desse jeito, me dá mais medo ainda. E esse medo me dá uma enorme sensação de impotência. Vontade de fechar os olhos, contar até dez, e ter esperança de que quando eu os abrir tudo vai estar normal, mesmo eu não tendo ideia de qual seria minha concepção de normal.
      Nove dias longe de tudo e mais perto de mim. Se eu não pirar, eu volto inteira e possivelmente melhorada. Semana Missionária 2010, aí vou eu.


"I'm looking to the sky to save me
Looking for a sign of life
Looking for something to help me burn out bright
I'm looking for complication
Looking cause I'm tired of  trying 
Make my way back home when I learn to fly high"


Learn to fly - Foo Fighters




 

segunda-feira, 12 de julho de 2010

E aí eu começo a pensar:

 O que escrever na primeira página após aquela que demorei tanto para virar? De repente, tem uma folha em branco só esperando que eu coloque meus planos nela. Esperando que eu comece o novo capítulo. Esperando que eu trace um novo caminho. É tempo de travessia, de esquecer os caminhos que levam sempre aos mesmo lugares. Pra começar a escrever meu novo capítulo, preciso de uma inspiração, um vício, e é claro que muita criaitvidade. A inspiração pode ser alguém, o vício pode ser essa xícara de café na minha frente, e a criatividade vem quando os dois se encontram. Então, dá pra concluir que esse seria um bom momento pra começar a preencher a página. Precisa de um título. Acho que "Capítulo 2" seria mesmo o ideal. Não porque seja realmente o segundo, até porque eu não faço ideia de quantos eu terminei e comecei durante os poucos anos que já vivi. Mas porque é a primeira vez que eu percebo que estou começando um novo capítulo na minha vida. E é a primeira vez que eu quero muitas mudanças juntas, planejadas ou não. Nesse exato momento, eu realmente me sinto muito bem. Não sei como começar o capítulo, mas só de saber que tomei essa decisão, sinto um alívio enorme. Porque depois de tanto pensar, e sofrer, e remoer o passado, a necessidade de mudança, de coisas novas, de uma decisão, passou a me dominar. Por isso já me sinto tranquila de ter certeza que o primeiro passo eu já tomei: eu decidi. Escolhi mudar.

Let love in.



That is what I'm doing.

Hoje...

... foi o primeiro dia em muito tempo que eu não acordei desejando voltar no tempo. Hoje eu finalmente consegui virar a página, porque eu descobri que a única pessoa que me impedia de virá-la era eu mesma. Às vezes uma situação lhe parece tão confortável, que mesmo essa não sendo o que você desejou, você não quer mudar. Simplesmente pela estabilidade. Mas eu to gostando da minha vida de ponta cabeça. Confesso que a segurança me faz falta, mas é bom acordar todo dia sem saber o que realmente vai acontecer. É bom se apaixonar em apenas uma semana. E é ótimo saber que eu ainda sou capaz de sentir borboletas no estômago e ansiedade ao esperar uma ligação. E é melhor ainda ter certeza de que finalmente eu encontrei uma pessoa que adora meus defeitos e qualidades antagônicos. Mesmo que tudo isso tenha acontecido em tão pouco tempo. Hoje, eu estou feliz por finalmente ter entendido uma frase que eu sempre repeti: "Só o que está morto não muda.". Obrigada Clarice.